Sábado, 30 de Setembro de 2017 às 09:23

DIPLOMA: Alunas fraudam certificado de conclusão para cursarem medicina, diz MPF

O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) identificou fraudes nas matrículas de cinco alunas, que cursavam Medicina na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Pinheiro, distante aproximadamente 84 km de São Luís. Elas tiveram suas matrículas canceladas pela universidade e resolveram sair de forma voluntária do curso. 


 

De acordo com o Ministério Público, os certificados de conclusão do ensino médio das cinco alunas eram falsos. Elas cursaram o período escolar em instituições particulares, mas apresentaram certificados referentes a escolas públicas para serem beneficiadas pelas cotas destinadas a estudantes de escolas da rede pública. 

 

O procurador da República, Juraci Guimarães Júnior, argumentou que “a política de cotas ainda é fundamental para reduzir as graves desigualdades sociais nacionais, mas é indispensável que ela atenda rigorosamente as regras legais estabelecidas, sob pena de provocar mais distorções do que aquela que se busca combater,” declarou. 

 

Juraci Guimarães revelou a dificuldade em identificar esse tipo de situação. "A denúncia chegou por e-mail. O procedimento durou cerca de um ano, pois nem todas são do Maranhão, tem gente do Amapá, Pará e Ceará. A apuração foi difícil, pois não tem banco de dados no governo federal para cruzar informações de alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas e particulares", explicou. 

 

O MPF aproveitou a situação e recomendou mais rigor na emissão de certificados de conclusão do ensino médio à direção do IFMA (Instituto Federal do Maranhão) e à Secretaria de Estado de Educação. 

 

Sobre as possíveis penas às alunas, cada caso será avaliado de forma separado e, por isso, a denúncia do MPF deve variar de acordo com o caso. 


Sobre o caso da fraude de alunas para cursarem Medicina no campus de Pinheiro, a Universidade Federal do Maranhão esclarece que todas as recomendações do Ministério Público Federal sobre o cancelamento das matrículas foram devidamente cumpridas e que os inquéritos ocorrem sob sigilo, não tendo a Universidade conhecimento do andamento das investigações realizadas pelo MPF. 


A reportagem entrou em contato com a UFMA que disse vir adotando cada vez mais rigor nas matrículas de candidatos de escola pública, de forma que ele precisa comprovar a escola da qual é egresso, apresentando histórico parcial, além de ser submetido a um processo de entrevista para comprovação do histórico escolar. 


Além disso, a Universidade disse ter criado, dentro do edital que regulamenta o ingresso dos estudantes por meio do SiSU, o anexo IX, que trata dos procedimentos específicos para a análise de documentos da categoria “Escola Pública” e para a avaliação de renda per capita. 


O processo de matrícula dos ingressantes ao ensino superior fica fragilizado pelo fato de o governo não ter um cadastro nacional de egressos, por isso a Universidade não tem como confirmar se o candidato estudou ou não em escola privada. Para diminuir esse risco, a UFMA requer que o estudante apresente declaração de que não cursou nenhuma das séries do ensino médio na rede privada, como forma de respaldo, caso haja alguma investigação. 


Por fim, a Universidade informa que, a cada ano, aprimora o seu método de matrícula, a fim de impedir casos como esses vinham acontecendo. 

 

Tag's: Fraude, alunas, medicina, diploma

Fonte: G1

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