Segunda-Feira, 18 de Setembro de 2017 às 15:55

Grupo que roubava aposentados em 'saidinha de banco' é preso

Uma quadrilha que atua em "saidinha de banco" foi presa durante operação "Personare", deflagrada pela Polícia Civil, em Manaus. Entre os integrantes, um funcionário concursado do Ministério Público do Estado (MPE-AM), que seria o responsável por passar as informações sobre os clientes que utilizavam a agência bancária no interior do órgão para sacar a aposentadoria, informou a polícia. Além de roubo, membros da associação criminosa também têm envolvimento com o tráfico e drogas em homicídios. 

Cinco pessoas foram presas suspeitas de compor a quadrilha: Manuel Eduardo da Silva Magalhãe, de 44 anos; Manuel Eduardo Ramalho Angelim - motorista do MPE, 44; Esaú Jacob Braga dos Reis; Diogo da Silva Magalhães, de 26 anos, e Francisco Enildo Pereira Magalhães, de 49 anos, pai de Diogo.

Segundo a polícia, o grupo roubava a renda sacada por aposentados e pensionistas e uma agência bancária localizada dentro do MPE. O primeiro roubo ocorreu contra uma idosa, de 80 anos, em julho. O segundo crime foi registado em agosto.

“A partir do momento que a vítima saia do posto, Manuel Eduardo da Silva Magalhãe passava um SMS com as características do veículo e do aposentado. Então, o restante do bando seguia o aposentado até a casa dele para roubar. A primeira vítima foi abordada dentro de casa e a segunda no bairro São Jorge, em via pública”, disse o delegado titular do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Guilherme Torres.

As quantidades subtraídas das vítimas eram altas. Segundo o delegado, o grupo chegou a roubar de uma só pessoa a quantia de R$ 7 mil. Em outra oportunidade foi levado R$ 19 mil. Há registro na contabilidade do grupo de roubos de até R$ 180 mil. O dinheiro era dividido entre os integrantes.

Com os valores, alguns membros do grupo chegavam a ostentar em festas pela capital. “Temos informações que Jefferson e Diogo utilizavam o dinheiro em muitas festas e pagavam contas de amigos e familiares”, apontou o delegado. 

O primeiro preso foi Jefferson Izidoro Ramos, na quinta-feira (14). E em seguida, Esaú dos Reis e Diogo Magalhães. A dupla detida no domingo (17), por volta das 19h, na barreira policial da BR-174 (Manaus-Boa Vista), com identidades falsas. Eles estavam em um táxi e pretendiam fugir.

“Diogo é um indivíduo de alta periculosidade. Ele, inclusive, trocou tiros com a polícia na área do Novo Aleixo, onde é chefe na área. Ele cumpre pena no semiaberto. Jacob também é foragido do regime semiaberto, ele havia pulado o muro e possui sete processos criminais por roubos e homicídios”, disse.

O delegado apontou que as investigações continuam, porque há indícios de outras pessoas envolvidas no esquema.

“Eles atuam com tráfico de drogas, com roubo, homicídios. Especificamente neste caso do MP, o funcionário ia sacar no dia 25 ou 26, mesmo dia em que os aposentados e pensionistas iam sacar, e ele ficava observando e mandava mensagem por SMS para o Jefferson", disse o delegado.

O motorista do MPE não quis falar com a imprensa. Ele trabalha há 8 anos no órgão e recebia aproximadamente R$ 7 mil.

“Ele disse que a motivação foi financeira e que tinha algumas dívidas, mas eu acredito que não. Acredito que ele viu a oportunidade e fez, sem se preocupar se eram vítimas idosas ou não. Na primeira vítima, há relato de agressão a uma senhora”, disse o delegado.

Além de responder criminalmente, o funcionário responderá a um processo administrativo e poderá ser demitido das funções públicas.

“Era um funcionário antigo, gozava de confiança de todos os membros e demais servidores. Para nós, é muito triste ver uma situação dessas. Mas em todo cesto, há laranjas podres e temos que fazer a separação”, disse a promotora Cristiane Correa que atua no Grupo de Atuação Especial contra do Crime Organizado (GAECO).

Além do trio, também foi preso Francisco Enildo Pereira Magalhães, pai de Diogo, na noite deste domingo (17). A prisão ocorreu na residência dele, na Rua Tores Vedras, no bairro Colônia Antônio Aleixo.

"Eu não sabia que essas armas estavam lá. Eu nunca me envolvi com crime nenhum, tenho 49 anos. Trabalho a 25 anos vendendo farinha na rua e nunca me envolvi com roubo”, disse Francisco.

Para a polícia, o homem indicou onde o bando guardava as armas. Dentro de um pote vedado, dentro da caixa d'água a polícia encontrou três pistolas, sendo dois calibres ponto 40 e uma de calibre ponto 45. Além de quatro carregadores de pistola, contendo 64 munições de calibre ponto 40, 16 munições de calibre 45, 18 munições de calibre nove milímetros, além de dois carregadores de metralhadora e um veículo, modelo Prisma, de cor branca.

Francisco Enildo foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ao término dos trâmites realizados no departamento, ele será levado para Audiência de Custódia, no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis. Já os outros três envolvidos foram indiciados por organização criminosa e roubo majorado.

Durante a coletiva, Diogo defendeu o pai e confessou participação nos roubos. “Meu pai não tem nada a ver com isso. Ele é trabalhador. Estou arrependido”, disse Diogo.

 

Tag's: saidinha, banco, assalto, roubo

Fonte: G1

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